Categoria: Poesias

À Arte

Minha análise do momento brasileiro:


À Arte

Há momentos nos quais a história nos coloca à beira do abismo
Com a complacência das massas ignaras, os cultivadores da morte vencem
Em busca de proteção, fazem triunfar o pai perverso
A violência se institucionaliza, a liberdade e as diferenças são massacradas
A vida torna-se um perigo e podem nos matar a qualquer instante
O medo impõe o sofrimento como condição de existência
A luz da vida boa se apaga e a escuridão parece ser infinita
Mas a dor é a maior fonte da arte, da poesia e das lutas por liberdade
É hora de tomarmos as armas da palavra, da música e da paz
Vamos cantar, vamos amar e, entre abraços e beijos, fazer política
Assim evitaremos a guerra logo à frente
Como já foi feito e talvez teremos de fazer de novo.

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Poema da Necessidade – Carlos Drummond de Andrade

É preciso casar João,
é preciso suportar António, 
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

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Momentos…

Há momentos na vida

Que um vendaval nos balança

Quando feito de sentimentos

Nos faz virar criança

De um lápis sai um arco-íris

De uma flor o coração balança…

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Sublimação

Escrever1Os sofrimentos do mundo

Resolvi atirar

Nas linhas da literatura

Assim não sofro tanto

Socializando a dor

Denunciando o horror

A beleza da ficção

Sublima a emoção

Produz paz, traz alento ao coração…

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Os Idiotas…

Somos piegas, estúpidos, idiotas na crítica da ampla maioriapasseata

Mas continuaremos a gritar que a exploração é errada

Que a violência não vale a pena

Que viemos dos primatas, mas poderemos evoluir

Sim, um mundo melhor é possível

Riem de nós, zombem, escarnem, não sentimos nada

Salvo o desejo de continuar a gritar

Que a Justiça é apenas uma palavra

Mas iremos atrás dela até os fins de nossos dias

Pois poderá se tornar conduta, produtora de ações

Nossa ingenuidade poderá se unir a outras

A maldade poderá fraquejar

E nossos gritos poderão sensibilizar

Que belo destino ser estulto contra o poder

Um néscio pela igualdade

Um mentecapto pela paz

Os homens inteligentes já mostraram o seu perigo

Continuaremos a ser pascácios, basbaques atrás da utópica revolução

Sem tiro, sem empurrão, só amor no coração

Talvez um dia, nós os loucos nos livraremos dos espertos

Talvez um dia poderemos viver a vida, com o simples prazer de viver…

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