Sou uma inconsistência

Lançado à paixão

À dor e à eterna insatisfação

O amor me remete à busca

Amo tanto e necessito ir

Para longe da calma, da certeza

Distante dos bons costumes

Quero encontrar o impossível

Viver o intangível

Desejo tudo, mas agora!

Não sirvo à estabilidade

Lanço-me ao perigo cultural

Pois quero experimentar o proibido

Sou o sonho, o próprio pesadelo

Busco o tudo e o nada

O delírio do louco

A paz de um beijo

A doçura de um carinho

O prazer dos corpos entrelaçados

Quero e sempre quero mais…

Os fogos lá fora prenunciam choros ardentes

Dos alegres prementes, logo ali à frente

Não estou triste, mas mudado

De coração calejado, vou me importar

Não com o ideal, mas com a vida real

O que importa afinal

Senão os traços da existência

Rabiscados pelas certezas alheias

Tão certas estão, merecem sua própria razão

E eu então, por que chorar a dor?

Se alheia aos meus próprios erros

Mas vinda das verdades que me desmentem…

Na lógica matemática, um mais um resulta dois

Uma formalização perfeita, na aparência

Pois na essência, os números são infinitos

E na infinitude não há resultado absoluto

 

No amor, uma mais um resulta casal

Uma formalização cultural, na aparência

Pois na essência, o amor é incompleto

E na incompletude não há resultado absoluto

 

Impossível a matemática do amor

Campo ilógico e perdido em contradições

Passível de dor, mas repleto de esplendor

O caminho possível da tênue felicidade

 

Salvo quando um for demais…