Me atormento com minhas próprias palavras

Me arranho com minhas próprias garras

E no fundo, quem sou eu?

Pois se ninguém sabe, muito menos eu.

 

Já que tanto falam, já que tanto julgam

Quem sou eu?

E como vou saber? Pois se tantas já criaram

E como vou saber? Se tantas historias alimentaram

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Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…