Por que nós juízes somos arrogantes?

Uma breve análise psicanalítica da arrogância da magistratura.

 

  1. #1 por Guilherme de Mello Rossini em 19 de julho de 2013 - 23:47

    E será que isso não é apenas um reflexo da cultura de idolatria do juiz?
    Quando se estudam formas alternativas de mediação de conflito, alguns estudiosos aduzem que o “discurso do mestre” impede a autocomposição, pois em nosso contexto só o juiz, detentor da “ponderação imparcial”, “justiça lapidar”, etc, pode resolver. O outro, revestido de toda essa áurea, e não nós, resolve os NOSSOS conflitos.

    Penso que, da mesma maneira, esta noção de superjuiz, ou semi Deus como o sr coloca, permeia os Códigos de Processo. É só ver o quase ilimitado poder que o juiz tem para instruir, decidir sem ser provocado, sem critérios objetivos impor multas e expedir liminares..
    O advogado, nesse contexto, é mais um informante do que se passa no dia-a-dia que um defensor de teses, analista da teoria jurídica; aliás, o juiz já sabe todo o Direito mesmo..

    • #2 por Lédio Rosa em 20 de julho de 2013 - 15:23

      A questão é complexa Guilherme. E não olvides que minha análise é psicanalítica e não jurídica. A cultura, é claro, sempre permeia tudo.

  2. #3 por FRANCIELE GEREMIAS BRITES em 20 de julho de 2013 - 11:58

    Nossa…eu tinha pensado nesse tema para o Mestrado…. Muito legal! Parabéns!

    • #4 por Lédio Rosa em 20 de julho de 2013 - 15:21

      Então faça o trabalho. É necessário.

      • #5 por FRANCIELE GEREMIAS BRITES em 20 de julho de 2013 - 21:25

        O senhor me orientaria? 🙂

        • #6 por Lédio Rosa em 20 de julho de 2013 - 22:12

          É possível. Estudas onde?

  3. #7 por Lílian em 20 de julho de 2013 - 17:54

    Parabéns pelo texto. Gostaria de lembrar que por trás do arrogo, da superioridade, e da crença de ser especial existe o sentimento (quase insuportável!) de inferioridade alicerçando a estrutura da personalidade narcisista.

    • #8 por Lédio Rosa em 20 de julho de 2013 - 22:12

      Há muitas coisas sim.

  4. #9 por Hamilton (Tinho) em 27 de julho de 2013 - 16:55

    Lédio… Tua definição pscanalítica do que é ser um Juíz, compactua com o que penso e defino. Parabéns por esta ênfase. Mesmo com o poder de decisão nas mãos, há de se entender e se fazer o que esta contido na LEI, porém, há interpretações e interpretações. Como se diz no popular Cada cabeça uma sentença. Abraços amigo.

    • #10 por Lédio Rosa em 28 de julho de 2013 - 11:05

      Tinho que prazer encontrá-lo aqui. Um abração e obrigado.

  5. #11 por Justine Marques em 10 de fevereiro de 2014 - 19:26

    A beleza ( ato falho : sim, eu sou apaixonada pela Estética) seu texto está na apresentação fluida, mas não simplista, de temas tão intrincados da psicanálise, usualmente apenas manejados pelos “iniciados” na área!

    • #12 por Lédio Rosa em 14 de fevereiro de 2014 - 12:19

      A psicanálise pode ser compreendida de forma simples. Freud escrevia assim. Lacan e outros vieram com essa escrita complicada e sem sentido.

  6. #13 por Justine em 14 de fevereiro de 2014 - 17:08

    Adorei seu pensamento…Admirável transgressão! Sim, porque aqui na região Sul, a nível acadêmico é proibido pensar sem Lacan!

    • #14 por Lédio Rosa em 15 de fevereiro de 2014 - 12:06

      O Lacan é rejeitado em mutias universidades. Dizem que não é científico.

  7. #15 por Justine em 14 de fevereiro de 2014 - 17:39

    Quanto aos juízes, como você mesmo serve de exemplo, o bom é que, felizmente, há, igualmente, excelentes magistrados, com uma formação jurídica, cultural e psíquica admirável, que perseguem uma aproximação da lei ao ideal de Justiça. Quiçá pudessem, os arrogantes, serem contaminado pelos “bons”…talvez se perdessemos o tabu que envolve a busca por psicoterapias e saúde mental não fosse tratada como algo fantasmagórico. Juizes e Promotores de Justiça ( porque existe a promotorzite)

    • #16 por Lédio Rosa em 15 de fevereiro de 2014 - 12:07

      Bom, qualquer um que tenha poder tende a arrogância. Difícil de combater isso.

  8. #17 por Daniel em 3 de julho de 2014 - 16:42

    Penso que o caso do juiz arrogante também poderia ser abordado (também) sob o enfoque da vaidade (ou processo de envaidecimento).

    No mais, já que detectamos alguns dos fatores psíquicos geradores do juiz egocêntrico e arrogante, poderíamos pensar em um texto que, – com base nas premissas alhures – sugerisse formas de inibir/adestrar/coibir/refutar tais condutas.

    Talvez, se os magistrados/promotores (que sofrem desses males) encontrassem alguma orientação neste sentido, conseguissem “se tocar”.

    Ou será que estou sendo romântico demais?

    Por fim, pergunto o que fazer quando o juiz sofre o processo inverso do supra narrado (é tão humilde mais tão humilde que chega a ser desrespeitado)? É o caso de minha esposa.

    att, Daniel

    • #18 por Lédio Rosa em 10 de julho de 2014 - 02:06

      Creio que casos pessoais não devem ser tratados aqui, um site público. A humildade pode ser uma profunda arrogância. Veja o filme Dog Vile.

  9. #19 por Wilson de Limas Junior em 28 de junho de 2017 - 23:17

    Em minha modesta opiniao na posição de aluno da magistratura estadual, com o passar dos tempos essa realidade tem mudado. Em que pese Dr. Lédio acredito que até mesmo pela cobrança ao longo dos anos pela sociedade. É visto e notório que temos observado Magistrados mais preocupados e voltados para os problemas da sociedade, todavia advindos de uma formação humanística mais exigente desbancando desta forma a “sindrome da juizite” se assim podemos dizer tal postura.
    Essa nova geração “mais humana” com o ideal de que: “Jurisdicionar é preciso” traz consigo sobretudo uma sensibilidade maior aos anseios da população tornado-os sujeitos mais receptivos e engajados ao oficio de uma Justiça social plena e convicta dos seus ideais.
    Um abraço.

    • #20 por Lédio Rosa em 29 de junho de 2017 - 21:03

      Não discurso. Meu texto cinge-se aos arrogantes.

(não será publicado)