Sou uma inconsistência

Lançado à paixão

À dor e à eterna insatisfação

O amor me remete à busca

Amo tanto e necessito ir

Para longe da calma, da certeza

Distante dos bons costumes

Quero encontrar o impossível

Viver o intangível

Desejo tudo, mas agora!

Não sirvo à estabilidade

Lanço-me ao perigo cultural

Pois quero experimentar o proibido

Sou o sonho, o próprio pesadelo

Busco o tudo e o nada

O delírio do louco

A paz de um beijo

A doçura de um carinho

O prazer dos corpos entrelaçados

Quero e sempre quero mais…

Os fogos lá fora prenunciam choros ardentes

Dos alegres prementes, logo ali à frente

Não estou triste, mas mudado

De coração calejado, vou me importar

Não com o ideal, mas com a vida real

O que importa afinal

Senão os traços da existência

Rabiscados pelas certezas alheias

Tão certas estão, merecem sua própria razão

E eu então, por que chorar a dor?

Se alheia aos meus próprios erros

Mas vinda das verdades que me desmentem…