Anna Kariênina – Liev Tolstói

– Se o senhor me ama, como diz – sussurrou -, faça isso, para que eu fique em paz.

O rosto de Vrónski iluminou-se.

– Acaso ignora que a senhora é toda a minha vida? Mas, paz, eu não conheço e não lhe posso dar. Todo o meu ser, o amor… sim, posso. Não consigo pensar na senhora e em mim separados. A senhora e eu somos um só, para mim. E não vejo, no futuro, nenhuma possibilidade de paz, nem para mim, nem para a senhora. Vejo a possibilidade de desespero, de infelicidade… ou vejo a possibilidade de felicidade, e que felicidade!… Será mesmo impossível? -acrescentou, só com os lábios; Mas Anna ouviu.

Com toda a força do pensamento, Anna se obrigava a dizer o que devia ser dito; mas, em vez disso, concentrou no olhar dele o seu próprio olhar, repleto de amor, e nada respondeu.

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