Lembranças

Não lembro os tenros anos, ocultados pela fatalidade

Lembro-me de uma criança alegre, passando pelas castrações físicas

Lembro-me de um gurizinho confuso lindando com o desejo e o pecado

Lembro-me bem de um jovem idealista sem noção do perigo

Recordo de uma juventude oprimida lutando por liberdade

Na convicção segura de um mundo melhor

Lembro-me do inimigo destruído e a democracia se diluindo

Lembro-me das traições às convicções e aos princípios

Lembro-me das revoluções desejadas transformando-se em ditaduras

Está vivo em minha mente o fim dos ideais

Não posso esquecer a tristeza de uma geração decepcionada

Lembro-me de um adulto infeliz no fim da história

Lembro-me dos amores destruídos e do cotidiano vivido

Lembro-me do tempo passando e a velhice chegando

Sim, agora recordo que a vida é inexorável

Não posso esquecer-me de vivê-la até seu último segundo…

2 comments

  • Rita

    Rita

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    Lédio!
    Sua poesia traz uma retrospectiva da vida e
    em cada passagem
    uma marca segue viajem…
    Como mostra a imagem,
    se a subida teve decepções e dores,
    também teve alegrias e flores…
    Sendo a vida é inexorável,
    a lembrança é imutável
    Entao o que vale é o agora
    e até chegar a hora, que ainda demora,
    Seja feliz com o que a vida lhe diz.

    Beijo.

    • Lédio Rosa

      Lédio Rosa

      Reply

      É o esforço permanente.

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