Tantas crenças, ilusões, tolices, lamentações

O eu solto ao medo, girando no antes e no depois

Agora já foi ou será, sabe-se lá ou cá

Mas a vida é na mistura do ser ou do será, talvez, quiçá

Afinal ou no início, onde estou, onde estás…

E o beijo não dado, se dará?

O amor perdido ressuscitará da morte viva

Em força bruta, como doença, mal-estar

Olhemo-nos e veremos como estragar

Essa faísca de vida o único que há.

Pele morena como se deseja

Bronzeado natural, cor sem igual

Mulheres mil matam-se para ter

O que te sobra desde o nascer

Traços finos em rosto angelical

Mel no olhar, pétalas faciais

Cabelos negros lisos soltos ao ar

O corpo torneado embeleza o mar

Mente madura com muita literatura

Mulher agradável para conviver

Tateando a existência fui te encontrar

Afável a vida nesse particular

Não lembro os tenros anos, ocultados pela fatalidade

Lembro-me de uma criança alegre, passando pelas castrações físicas

Lembro-me de um gurizinho confuso lindando com o desejo e o pecado

Lembro-me bem de um jovem idealista sem noção do perigo

Recordo de uma juventude oprimida lutando por liberdade

Na convicção segura de um mundo melhor

Lembro-me do inimigo destruído e a democracia se diluindo

Lembro-me das traições às convicções e aos princípios

Lembro-me das revoluções desejadas transformando-se em ditaduras

Está vivo em minha mente o fim dos ideais

Não posso esquecer a tristeza de uma geração decepcionada

Lembro-me de um adulto infeliz no fim da história

Lembro-me dos amores destruídos e do cotidiano vivido

Lembro-me do tempo passando e a velhice chegando

Sim, agora recordo que a vida é inexorável

Não posso esquecer-me de vivê-la até seu último segundo…