Relogio DaliUma chispa de pensamento e o tempo pareceu curto

Não lerei todos os livros de minha biblioteca

Ela é grande e perdi tempo em conversar inúteis

Não viajarei a todos os lugares desejados

Quando poderia ter ido, acabei ficando

Muitos amores não serão completados

Pelo medo do fim, negligenciei o começo

Filmes brilhantes não serão vistos

Imagens fúteis me tomaram o tempo

Sobrarão garrafas de bons vinhos

Poderiam ter sido sorvidas em momentos de amor

E ideias não serão escritas

Perderam-se pela demora

O tempo parecia sobrar e agora falta

A existência não é o canto de um quarto

O olhar pela janela

É ir à rua, a distantes rincões desconhecidos

Transformar o conto da própria história em romance de muitas páginas

Repletas de emoções, de experiencias inusitadas, do novo

A intensidade da vida poderá alongar o tempo

Afinal o tempo é mera percepção, vida em potência

Verdades só descobertas tardes demais…

Superar a dor só com muito amorLuto

Fazer da ausência companheira amiga

Das lembranças vida eterna

E quando o coração apertar e a angustia esmagar

Permitir-se um sorriso

Recordando as alegrias passadas

Os beijos dados, os carinhos trocados

Não é momento para entender

Mas reviver o que foi bom

Pois se valeu a pena, valerá para sempre como amor infinito…

SinosOs sinos batem e ouvidos ateus estremecem

Pelo fragor e não pelo simbólico

Criam um sentido sonoro

Interveniente na vida vivida

Do íntimo dolorido tiram agradáveis sensações

Como se possível fosse alegria na tristeza

Os sinos batem e os sons agradam

Os sinos, a vida, a solidão, tudo percepção

A sublimação do mais profundo sofrimento

Libertar-se, tornar a dor em arte, viver a vida com paciência

mocasOh! Verão que te aproximas

Já desnudando corpos ocultos

Quantas belezas apresentas

Aos olhos dispostos a ver

Apresse-se primavera, para o calor trabalhar

Assim poderemos olhar

As obras da natureza

Quantas, quantas beldades

Livres para alegrar

Deixar os sonhos fluírem

Permitir o imaginar…

O que dizer de um sorriso lindo capaz de encantarpicasso

De uma inteligência fervilhante repleta de emoção

Um sofrimento cálido com polpas de alegria

Uma mulher enigmática de doçura extasiante

 

O que desejar diante da beleza

Da consciência amarga das mazelas

Frente à filosofia, as artes da existência

Sublimação da dor, alívio da felicidade

 

Como beijar o mundo, o ser amado

Abraçar todos os combalidos, desesperados

Assistir o cinema do cotidiano

O espetáculo diário humano

 

Como viver o momento

Envolto em cruéis sentimentos

Abandonar as bengalas

Para se apoiar no Eu

 

O encontro sem confronto

De seres amáveis, dispostos a viver

Longe das frivolidades das massas

Protegidos pela cumplicidade da inteligência

 

Escondidos no anonimato

No abandono da ganância, dos holofotes fúteis

Burlando o medo com a paixão

Vivendo em ebulição com quem vale a pena…