Ações estranhasinconsciente
Sem qualquer por que
Sentimos indesejáveis
Totalmente inevitáveis
Sonhos de fatos e atos
Alheios à consciência
Fala-se isso no lugar daquilo
Culpa-se por absolutamente nada
Desejos se confundem
Ações contraditórias se repetem
Outro nos habita
Determina nossa existência
Quita-nos a paz
Faz e desfaz
E na liberdade possível
Tenta-se amar e trabalhar
Para a vida gozar…

Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado . Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro. Mas cada um via uma coisa diferente, e cada um portanto, tinha razão.  Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.