Não lembro os tenros anos, ocultados pela fatalidade

Lembro-me de uma criança alegre, passando pelas castrações físicas

Lembro-me de um gurizinho confuso lindando com o desejo e o pecado

Lembro-me bem de um jovem idealista sem noção do perigo

Recordo de uma juventude oprimida lutando por liberdade

Na convicção segura de um mundo melhor

Lembro-me do inimigo destruído e a democracia se diluindo

Lembro-me das traições às convicções e aos princípios

Lembro-me das revoluções desejadas transformando-se em ditaduras

Está vivo em minha mente o fim dos ideais

Não posso esquecer a tristeza de uma geração decepcionada

Lembro-me de um adulto infeliz no fim da história

Lembro-me dos amores destruídos e do cotidiano vivido

Lembro-me do tempo passando e a velhice chegando

Sim, agora recordo que a vida é inexorável

Não posso esquecer-me de vivê-la até seu último segundo…