VentosOh! Ventos fortes

Embalem como neném sonolento

Os sofrimentos dos lutadores

Para dormirem em paz

E depois acordarem vivaz

Com energia reforçada

Motivando as ações

Necessárias às grandes revoluções

Tão raras de existirem

Tão necessárias à existência

Tão traidoras dos ideais

Soprem, soprem ventos fortes

Assim a humanidade não dormirá

Busque, se der, assobiar

Entoando um hino motivador

Das liças dos sofredores

Com teus ruídos e empurrões

Irá a história, ventos fortes

No embalo da cuna da humanidade

Assustada com o escuro

Com o bicho papão da ignorância

Ventos fortes, ventos fortes, soprem com furor

Ameacem destruir, pois talvez assim

Quiçá, quiçá possam construir…

Vamos, não chores…Carlos Drummond
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o ‘humour’?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.