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Embalem como neném sonolento
Os sofrimentos dos lutadores
Para dormirem em paz
E depois acordarem vivaz
Com energia reforçada
Motivando as ações
Necessárias às grandes revoluções
Tão raras de existirem
Tão necessárias à existência
Tão traidoras dos ideais
Soprem, soprem ventos fortes
Assim a humanidade não dormirá
Busque, se der, assobiar
Entoando um hino motivador
Das liças dos sofredores
Com teus ruídos e empurrões
Irá a história, ventos fortes
No embalo da cuna da humanidade
Assustada com o escuro
Com o bicho papão da ignorância
Ventos fortes, ventos fortes, soprem com furor
Ameacem destruir, pois talvez assim
Quiçá, quiçá possam construir…
Vamos, não chores…
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o ‘humour’?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.
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