Pássaros

            alçando voo.

Montanhas

            que se repetem,

sempre,

            na cor do outono…

Ando de um lado para o outro

            no monte florido:

até quando

            essa melancolia?

Amor é um fogo que arde sem se ver;

é ferida que dói e não se sente;

é um contentamento descontente;

é dor que desatina sem doer;

 

é um não querer mais que bem querer;

é solitário andar por entre a gente;

é um não contentar-se de contente;

é cuidar que se ganha em se perder;

 

é um estar-se preso por vontade;

é servir a quem vence o vencedor;

é um ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode o seu favor

nos mortais corações conformidade,

sendo a si tão contrário o mesmo Amor?

Corpo exausto
exaura em pó.
São tantas vontades,
arremesso ao vento
me perco em quantidade.
Só sinto o som oco do meu batimento.
Fala sem significantes
construídas em pontadas de incertezas.
O corpo não sabe mais se relacionar com o todo.
São renúncias que faço,
a partir do inconsciente que amedronta tocar.
Pulsões estáticas se engendram
e não permitem o que penso e não alcanço viver.