Vi um sorriso doce

Em um corpo esbelto
Ai olhei de novo
E vi um coração sofrido
Mas embebido em bondade
Na luta de fraternidade
Era uma gaucha linda
La de Cruz Alta
Pareceu-me uma fada
Em meu sonho acordado
Ora, ora, ora….
Momentos felizes … é possível
Assim, como nós, talvez não
Quem estará disposto a entender!?
Como sempre a maldade, ela está
Mas doce menininha
No desabrochar de mulher
Na distância do tempo
Chega a adulta
Que momentos ao teu lado!
O prazer acrisolado

Um amor a nascer
Sem as tolices culturais
Só o desejo satisfaz
E assim ficamos a falar, a olhar, a trocar bondades
Sorrisos espontâneos descompromissados
Em nosso mundo marginal
Sem espaço à celeralidade ou qualquer maldade
Só a pura vida a correr…
Venha, doce, e deixe a amargura
Vamos esquecer o humano

E viver o sonho
Da ilusão humana
De gozar a liberdade
Encontrar a felicidade
Vamos ver a lua
Beijarmos no portão
Caminhar na solidão
Mergulhar no mar azul
Sob o sol iluminado
Venha, amada, vamos brincar de verdade
Na mentira da realidade
Venha e me leve à loucura
De abandonar a razão
E viver, viver e viver
Tão só de emoção…

A tristeza do amor perdido
Serena-se diante de um achado
A dor do fim
Sucumbe a um novo começo
O desespero do abandono
Extingue-se com a proximidade
As lágrimas de saudade por quem foi
Serão lágrimas de alegria por quem vem
A profunda desdita da paixão frustrada
Será a felicidade ditosa do amor possível
O presente é o que não foi, mas pode ser…
Parar de sofrer! não me diga…
Só eu sei o gosto de pensar em te ter
Se não dá, se não for pra valer
Não me importa, quero continuar a querer
Explicar, explicar … deixe-me o sabor
A vida se faz pelo amor
Olvides de vez a razão
Pois sou movimento da emoção

Mesmo na dureza da solidão
Parar de querer! não me diga…
Afinal, afinal … o que é a vida material?
Senão o emocional travestido de real
As sensações dimanadas do palpável
Não me diga nada mais
Fico na paz da saudade
Transfigurando dor em prazer
Encontro aí o meu porquê…
Você…
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