Se eu pudesse
Te faria feliz
Mas não qualquer felicidade
Senão a intrínseca ao feliz
A dita impossível
O ser pleno de alegria
Nossa como te quero!
Não há como explicar à razão
Ela não conseguirá entender
Então me calo nas palavras
Extravaso-me no sentimento
Irracional desejo de uma ilusão
Paixão, amor, fixação
Nossa, apenas te quero…
Como se quer viver
Sentir o sangue correr
Olhar o dia nascer e morrer
Querer, tão só querer
Não há mais nada a falar
Só sentir o querer
Nesse momento, exatamente nesse momento
Queria te abraçar, sussurrar palavras doces
Afagar teus cabelos, acariciar teu corpo
Beijar tua pele, sentir teu cheiro, olhar tua beleza
Nesse momento, exatamente, queria outro momento
Sem saudade, sem dor, sem tristeza
Apenas um momento, daqueles poucos que vivi
Quando estive certo ser possível a felicidade
Tantas crenças, ilusões, tolices, lamentações
O eu solto ao medo, girando no antes e no depois
Agora já foi ou será, sabe-se lá ou cá
Mas a vida é na mistura do ser ou do será, talvez, quiçá
Afinal ou no início, onde estou, onde estás…
E o beijo não dado, se dará?
O amor perdido ressuscitará da morte viva
Em força bruta, como doença, mal-estar
Olhemo-nos e veremos como estragar
Essa faísca de vida o único que há.
Somos o fogo a arder invisível
Suas chamas não sabem ferir
Mas sim iluminar o luar
E fazer da noite clara um dia de prazer
Em chamas .. nos chamamos
E no transcorrer de versos
Nos comunicamos, amamos, sonhamos
Fazemos nossa poesia a vida
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