Eles, os poetas consagrados
Não escrevem, sopram palavras
Como o perfume das rosas
Ou o som do piano
Invisíveis nos tocam e emocionam
Fazem rir, chorar, pensar, recordar…
Afloram pequena parte boa do humano
Criam a possibilidade de sensibilidade
Os poetas ateiam ao mundo versos voadores, transformadores…
Um vazio na mente
Nas entranhas um buraco
Uma pássara voando
Outra na gaiola
Anseios contraditórios
Felicidade à mão, a voar, voar…
Infla o desejo
Acoberta-se a tristeza
Sob as cobertas um amor
Amar, brincar, deixar, gozo no ar!
Vida com ardor, ludibriando a dor
Revôos de pensamentos, sentimentos…
Como chegar bem até a morte?
Estou disposto a enfrentar
As ondas revoltas do mar, os ventos do tufão
Os preconceitos de todos
A mais forte discriminação
Não me importa as forças contrarias
As armas da moral
Até mesmo a exclusão social
O ostracismo dos infelizes
A raiva dos normopatas
O local da felicidade é já
E seu tempo o agora
Quando a dor se dissipa
No flutuar pela vida
Alçado pelo erotismo do amor
Exalado de uma jovem mulher
Que me quer, simplesmente…
Pena de morte, mais cadeia, repressão…
Eles não entendem, não entendem não!
Flexibilização, precariedade, exclusão
Genitores sem trabalho, fim da identidade, desolação
Ausente paradigma, filhos sem valores, sem futuro
Não, não, não entendem não…
A dor é forte, arrebenta o coração
Violência não é só maldade ou revolta
Mecanismo de defesa para e ego agüentar
Vida sem perspectiva, o nada como tudo
Não, mais violência não!
Mais de erro néscio, desumanidade na ação
Hão de entender! Não querem nem saber
O sorriso só vem quando se tem…
E paz só se faz na inclusão…
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