Diante do povo com sua ânsia intestinal, superficial de Justiça

Frente à massa, ávida pelos desejos permitidos, concedidos

Com as certezas que nos roubam o prazer do incerto, do novo

Perante os discursos de verdade, todos solidificando as mentiras

Ante os deuses responsáveis por hecatombes

Em presença de arrogantes beócios com egos inflados

O que fazer dessa vida que regra o amor,

Moraliza o desejo, semeia o dissabor

E sufoca o sensual com a culpa original?

Simplesmente: o que fazer?

Quero ler para ti, as mais belas poesias de amor

Quero aquele sentimento de felicidade boba, quando meus olhos levavam à mente tua imagem linda

Quero os arrepios em meu corpo, vindos dos toques em tua pele

Aquele sorriso difícil, que tomava meus lábios, ao pensar em ti

O sentimento inexplicável, de total alegria, aos sons de nossas vozes

A sensualidade profunda ao segurar tua mão

Quero manter os sonhos e não deixar a realidade matá-los

Quero embriagar-me pela vida, sem necessidade de álcool

Quero, quero e quero, te quero!

Uma pena os rumos da vida

Poderiam ser outros, mais felizes

Mas as contingências acabam sendo tão determinantes

Igualam-se às fortes raízes da moral e das instituições

Eu entendo os porquês da impossibilidade

Apesar de ainda sonhar e sofrer com o possível

O entendimento não traz alegria, não resolve nada

Só não entendo por que não houve capacidade de acontecer

Pois em um momento a reciprocidade pareceu indicar a eventualidade do amor

E o amor é uma força capaz de demover o impossível

Mas agora sei que ele pode falhar…