Os olhos ardem
Ouvidos doem
Respiração arfante
Sonhos delirantes
Coração apertado
E nada constatado
Tão só o corpo pagando
As contas anímicas
Daquele que perdeu
A quimera que não viveu


Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…
Queria ir te buscar
Trazer-te para meu lado, agora…
Para te amar, amar, amar…
Fazer os carinhos que agitam o mar
As caricias do vento a levar
Os beijos do entardecer
O sexo do vulcão em erupção
E depois de acalmar
Nunca mais te deixar…

Dia desses tive um sonho
Daqueles dos quais se acorda feliz
Nele tinha uma fada encantada
Que abria meu coração
Criava prazer, dava fantasia
Fazia-me afortunado
Girava envolto em pura paixão
Sono bom, sono de emoção
Sonho inesquecível, fada querida…
Agora acordado busco esse ser imaginário
Para sua magia me dar mais alegria
Não a encontro, ela não está…
Onde estará?
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