O nosso mundo – Florbela Espanca

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…

2 comments

  • Neide

    Neide

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    Florbela é maravilhosa mesmo. Tão intensa. Amo sobremaneira um poema intitulado “AMAR” de Florbela Espanca que não põe limites a seu amor, que se doa, que se entrega ao que eu poderia chamar de amor essencial e não particular, mas que dá margem a uma querela entre o que seja universal e particular, pois quando ela diz “E não amar ninguém” já fico esvaziada, pois o amor a dois é completamente singular. Mas diante da cotidiana “realidade”, como negar que “quem disser que se pode amar alguém / durante a vida inteira é porque mente!”.

    • Lédio Rosa

      Lédio Rosa

      Reply

      Interessante tuas observações. Gostei muito.

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