Me atormento com minhas próprias palavras
Me arranho com minhas próprias garras
E no fundo, quem sou eu?
Pois se ninguém sabe, muito menos eu.
Já que tanto falam, já que tanto julgam
Quem sou eu?
E como vou saber? Pois se tantas já criaram
E como vou saber? Se tantas historias alimentaram
Correntes são só metais
Aprisionam os corpos
Ferem, sangram, causam dor
Mas não atuam sobre as mentes
O corpo preso e dolorido sofre
A mente livre flutua
Faz seu mundo
Cria sua felicidade
As correntes da mente são sutis
Convencem ao aprisionamento
Aniquilam o cérebro
São mais fortes, ultrapassam os metais
Abandonemos as TVs, fujamos dos templos
Dos mecanismos de adestramento
Busquemos refúgios nas bibliotecas, nos museus, na arte
Arrebentemos as correntes de metais, mentais e cerebrais…
Perdeu-se um amor
Morreu uma flor
Ficou o concreto, o cimento
Das construções moralistas
Dessa vida racional
Tão repleta de verdades
Tão vazia de amenidades…
O papel, a tinta
A escrita de alguém
Resulta o livro
Dentro dele
Pura imaginação
Da ciência à ficção
Das bobagens à erudição
Mas nos inteligentes
Mundos à parte
Nos quais voa o leitor
Ao infinito do impossível
Inesgotável saber humano
Às delícias do conhecimento…
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