Poeta: Lais Gonsalves de Andrade

Me atormento com minhas próprias palavras

Me arranho com minhas próprias garras

E no fundo, quem sou eu?

Pois se ninguém sabe, muito menos eu.

 

Já que tanto falam, já que tanto julgam

Quem sou eu?

E como vou saber? Pois se tantas já criaram

E como vou saber? Se tantas historias alimentaram

 

Sofrer todos sofrem, sabemos disso

Aceitar, ai não, nem todos aceitam

Quem sabe a aceitação não seja o melhor modo

Mas sim, o mais confortável

 

Já que lhe falta a coragem para gritar ao mundo sua dor

Talvez se esconder faça que tudo pareça bem

Talvez se esconda, para procurar o amor

 

Porque a rotina e porque a vida

Não foram feitas para fazer um sentido

Porque desde o começo, já nos preparamos para a morte

Sendo que a morte pode vir muitas vezes antes do coração parar de bombear o sangue

Sendo que não necessariamente precisamos entrar no caixão

Não, para nos sentirmos mortos

 

O quão grande é a dor que é criada com a falta do amor

O quão grande é a dor para desejarmos morrer a ficar só

Morrer a não te amor

4 comments

  • Rita

    Rita

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    Lédio,já tive oportunidade de ler outros poemas de sua filha,e percebo como ela sabe de forma intencional expressar com grande intensidade os sentimentos.
    Neste ela expõe os conflitos existênciais que todos passamos,seja em que idade e em que ponto for de nossas vidas.
    Parabéns à Laís e parabéns à você por ter uma filha assim tão poeticamente iluminada.

    Beijos.

    • Lédio Rosa

      Lédio Rosa

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      É, sabe sim mostrar os sentimentos, mesmo dos difíceis.

      • Rita

        Rita

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        É isto que a transforma nesta pequena grande poeta…raro hoje em dia em jovens da idade dela.

        • Lédio Rosa

          Lédio Rosa

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          Me parece uma exceção.

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