Horas a fio em minha “cidade dos livros”
Em contato direto com o conhecimento da humanidade
Trouxeram-me um desejo de respirar ar puro
No balcão deparei-me com suave brisa fria
Olhava o mar, o negro asfalto, as gentes, os veículos
Seu toque me acariciou e produziu enorme prazer
Afagou meu rosto, moveu meus cabelos, percorreu minhas entranhas
Refrescou meu corpo e minha mente
Açulou um fogo ardente em meu interior
Pareceu as suaves mãos de meu amor
Sempre capaz de transbordar felicidade
Uma saudade se achegou e voltei à leitura…

Vou amar, vou amar

Uma flor, linda mais que o luar

Cheirosa como um mar de rosas

Suave quão seda pura

Com olhar feito de mel

 

Vou amar, vou amar

Uma mulher, sob o luar

Nas delícias de seu perfume

Tateando sua pele suave

Gozando a visão do seu ser

 

Vou amar, vou amar

Para a eternidade do amor…

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…

 

Não se pode sonhar impunemente
um grande sonho pelo mundo afora,
porque o veneno humano não demora
em corrompê-lo na íntima semente…

 

Olhando no alto a árvore excelente,
que os frutos de ouro esplêndidos enflora,
o sonhador não vê, e até ignora
a cilada rasteira da serpente.

 

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