Tristeza

Oh! Que tristeza me dá

De saber que a fome no mundo poderia acabar por vontade humana

Mas o mercado não deixa

Oh! Que tristeza me dá

De saber que as guerras são feitas por motivos vis

Que suas origens são religiosas, geopolíticas e de conquista de poder

E que nelas morrem milhões de belos jovens, acreditando em uma causa justa

Oh! Que tristeza me dá

Ver os olhos tristes de uma criança suja a pedir comida

Ver um ancião esfarrapado, após uma vida de luta, pedir dinheiro

Ver o esbanjamento inútil servir de status

Oh! Que tristeza me dá

Ver a raça humana declarar-se superior no reino animal

E para demonstrar, destrói a ecologia e massacra seus semelhantes

Oh! Que tristeza me dá

Ver crianças inocentes e indefesas nas mãos de moralistas

Neuróticos religiosos que escondem suas taras sob o manto da pudicidade.

Sois perigosos.

Oh! Que tristeza me dá

Ver a Medicina lucrar e não curar

A Engenharia construir sem distribuir

O Direito dominar sem igualar

A Psicologia ajustar sem libertar

A Contabilidade contar para descriminalizar

A Nutrição seguir com o povo a desnutrir

A Farmácia industrializar e quase todos a enfermar

A economia concentrar para matar

A Arte futilizar sem muito criar

A Música banalizar sem aculturar

Oh! Que tristeza me dá

Ver a educação ceifar a criatividade

Impor o conhecimento por força de mestres néscios e autoritários

Ver as crianças serem moldadas à obediência servil

Oh! Que tristeza me dá

Ver o povo levar ao poder aqueles que o oprimem

Fazendo inimigo os diferentes e transformadores

Por desejo do sofredor a verdade vira mentira e a mentira vira verdade

Oh! Que tristeza me dá

Saber que inventaram o inferno

Transformam em pecado desejos naturais

Adoentaram a humanidade com culpas desnecessárias

Oh! Que tristeza me dá

Ver a extrema necessidade conviver ao lado da fartura

Ver a liberdade sucumbir aos preconceitos

Ver a tirania ser desejada pelos tiranizados

Oh! Que tristeza me dá

Saber que explodirá o sistema solar

Ver, enquanto isto, a morte triunfar

Ver o cotidiano, com seus dias já contados,

Oh! Que tristeza me dá

Ver a humanidade correr à metafísica em busca do que pode conseguir com uma simples ação

Ver o presente ser destruído, para se esperar o grande dia

Dia que não virá, pois a vida é só a vivida já

Oh! Que tristeza me dá

Sei lá o que há

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