
Gota solitária de lágrima desce à face
O motivo é desconhecido
As circunstâncias não justificam
Mas a gota é cachoeira condensada
De uma vida amargurada
Repleta de posses
Esbanjamento material e imaterial
Tênue fausto de cotidiano anódino
Gota de denúncia, traidora das classes e das crenças
Dos ricos pobres de espírito
Dos pobres ricos de ganância…

Quisera eu, como escritor, só falar de amor
Coisas alegres, felicidade, amabilidades
Esquecer o mundo real e transitar pelo ideal
Pelas fantasias infantis, criar um orbe pueril
Quisera eu, como homem, só amar
Não ter raiva, cobiça, vaidades…
Detestar o poder, apenas querer viver
Como um guri alegre, repleto de bobices
Quisera eu apenas sorrir com simplicidade
Chorar só lágrimas de felicidade
Acariciar as pessoas queridas
Beijar a mulher amada
Quisera eu ser um mágico
Para tirar as dores da humanidade
Um deus ateu nada onipotente
Para permitir às gentes
Viver os amores ardentes, meramente isso quisera eu…
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