
Frente à vida as crueldades
Guiado pela arte
Dou, mesmo amargo, um sorriso
E adiante sigo
Para onde for, nunca se sabe…
Oh!, passarinha que maldade
Linda como no todo és
Em minha vida pousaste
Para alçar logo voo
Derretendo a ilusão
De haver a felicidade
Há entre os seres um senão
Sem razão, repleto de razão
Uma obstrução, se não uma confusão
Um conflito, uma agitação
O impedimento do fluir da emoção
Passa o tempo, submerge-se o amor
Hão de ser os pares perdidos
Sem beijos, abraços e amassos
Conformados com os laços
Que distanciam os corações
São, são os seres da razão
Infelizes por opção
Vendo os luscos fuscos da felicidade concretizarem-se ao vão…

Nada tem sentido
Nada tem valor
No ser melancólico
Há muito confuso amor
Energia desviada
Perdida no estupor
Mais um sofredor
Nessa vida destoada
Onde se perdeu o próprio amor…
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